Uv.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
LUA NEGRA
Ela, na viração da tarde, sob a luz crepuscular que lhe conferia beleza austera e suprema, vislumbrava o horizonte sonhando com as cores do dia, mas vendo chegar a noite. Noite escura, sem lua, quando as feridas da privação são curadas com o pecado. Ela era parte disso. Ela rememorava os fracassos em deja-vús. Ela relia linhas educadas pra falar sobre abandono. Ela foi deixada. Ou talvez tenha ido embora. Não, o paraíso não lhe pertence. Ela é produto do caos. A perfeição lhe atordoa e confunde. Ela quer mais. Viveu muito tempo no deserto. Buscou refúgio no Inferno. O menino com nome de anjo tentou salvá-la, mas por fim perdeu a esperança. A sua luz não foi suficiente pra devolver-lhe à vida. Suas palavras não puderam libertá-la. Então se foi. Melhor se afastar. Ela era fascinante, complexa, frágil e forte. Precisava de proteção, mas era insubmissa. Rebelde por natureza, a ela foi negado o brilho das estrelas. Ela estava condenada. Ele não compreendeu. O anjo tentou livrá-la e quase se perdeu. Então, como último aviso luminoso, optou-se pelo frio da diplomacia. A esta altura as maldições já foram todas rogadas. Um acordo. O anjo se afasta, ela simplesmente aceita. Ah, anjo bom, dotado de todas as graças do Grande Arquiteto. Porque pousar os olhos sobre tal criatura profana? Ela é indecisa, insegura e má. Mas com o júri certo, pode ser absolvida. Um dia eles se encontrarão denovo. Ele nos braços de Eva. Ela, maculada e eterna.Ultraviolet.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Ela tinha nas mãos as chaves do paraíso, mas não sabia como usar. Talvez fosse a porta muito difícil de encontrar, porque ficava em algum lugar do inferno. É... O inferno dela tinha essas rotas de fuga, só que não era fácil chegar lá. Agora ela se sentia estranha, a sensação era de derretimento, apesar de não estar tão quente assim. Era como se tivesse se integrado ao ambiente e fosse parte da natureza em volta. O ar... Era toda feita de ar. Era gás, mas não tão leve a ponto de flutuar. Densa. Não media pensamento. Se entregava totalmente ao momento. Talvez algum dia retomasse a forma. Quem sabe fosse mulher. Quem sabe tivesse em si algum veneno que renova.
Uv.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
AMIGO SEM FORMA
A cortina de contas revelou um ambiente extraordinário. A sala aconchegante, com paredes cobertas por cores, máscaras, tapetes e quadros. Cinco continentes em pouco espaço. Eu estou ali experimentando o poder de lugares mágicos. Você junto a mim, guiando meus passos. Sem titubeio, seguro e forte, inatingível ao meu alcance. Não importo que conduza a conversa. Meu silêncio é admirativo, me coloco sob sua tutela. A proximidade é inevitável. Aguça os sentidos esses olhos que enxergam através de mim e os lábios aptos a me contar passado, presente e futuro numa linha contínua, não separados por primaveras e invernos. Intuo do que você é capaz. Palavras não são necessárias. Nesse momento a mente está vazia, nada pode me tomar de assalto. Não há como haver sobressalto. Ponha-se a me despir enquanto coajo a timidez. E então, desprovida de mistérios diante de ti, assisto a morte do meu orgulho e o renascer dos sonhos ocultos. Você me toma no colo, me leva a outro ambiente. Sinto sua voz no timbre e ritmo das batidas do meu coração enquanto me acomoda nos braços dos deuses. É só a sua cama quente e tão familiar. A sua maestria me instiga. Meus medos fugiram atordoados. Ficamos nós. Toque meus chacras buscando o prazer. Meu corpo é luz, não o faça anoitecer. A menina pode dar vida ao homem. Ele pode fazê-la acreditar que o que não sabe, pode sentir de alguma forma.
Ultraviolet.
domingo, 1 de novembro de 2009
Ondas de vento invadem meu pensamento
Trazendo restos de outro tempo
Quando dor, pesar e alegria
Nada mais simples euforia
Habitavam pacificas o caos
O mar revolto do meu ser
Que não se entrega a mero prazer
Não move correntes nem revela os mortos
Navego somente por caminhos tortos
Na alma, misto de som, fúria e calmaria
Desejos apresentados como finas iguarias
Coexisto com sombra, luz e solidão
Sofro do pior tipo de alucinação
Mas não me perco em meio à bruma
Talvez toda eu seja feita apenas de espuma.
Trazendo restos de outro tempo
Quando dor, pesar e alegria
Nada mais simples euforia
Habitavam pacificas o caos
O mar revolto do meu ser
Que não se entrega a mero prazer
Não move correntes nem revela os mortos
Navego somente por caminhos tortos
Na alma, misto de som, fúria e calmaria
Desejos apresentados como finas iguarias
Coexisto com sombra, luz e solidão
Sofro do pior tipo de alucinação
Mas não me perco em meio à bruma
Talvez toda eu seja feita apenas de espuma.
Ultraviolet.
sábado, 17 de outubro de 2009
COISAS QUE NÃO DEVEM SER DITAS (CONTO IMPUBLICÁVEL, CARTA NÃO ENTREGUE).
Eu, na luz espectral da noite, deitada sobre a cama arrumada e vazia, ouvindo a chuva intermitente lá fora. Em mim arde a vontade, aquele desejo que não passa, a carícia somente a ser lembrada. Penso em tudo isso entre contorções, risos á meia boca e seu nome aos lábios. Encenar minhas fantasias torna-as mais reais. Todas vêm a mim, menos você. Tudo se materializa em volta, menos você. E a chuva não para, essa chuva que tanto lhe agrada. Talvez porque saiba que você em mim é tempestade – aconchego, conforto, força, medo. Ah! E eu me jogo! Eu me molho! E na ânsia de te encontrar em mim, mergulho meus dedos nesse néctar doce. Levo-os á boca em seguida. Mantenho minha essência. Mas preferia a sua opinião. Prefiro a sua língua entre meus lábios [grandes e pequenos] e seu abraço a me acalentar. Os seus olhos lêem os meus, suas mãos têm destino certo entre meus cabelos. Toque-me. Não irei rejeitá-lo. Traga a mim um pouco do calor do teu corpo. Prometo devolver-lhe em medida apropriada: fogo ou água.
Ultraviolet.
sábado, 3 de outubro de 2009
O burro não entende que certos momentos desconfortáveis lhe proporcionarão melhores chances no futuro. Ela não era burra, mas não pensava no futuro. O pseudo-conforto momentâneo lhe impedia de trocar o certo pelo ainda disforme. Não havia dúvida de que podia ser melhor, mas ela precisava ver pra crer. Talvez reflexos de sua inconstância, que não permitia planos a longo prazo. Hoje resistem, mas amanhã não sabe se persistem. E assim as coisas em volta tomam um ar de eternidade. Não aquela querida, como a que se deseja ao lado da pessoa amada, mas aquela carrasca, prefácio do Inferno, que mantém tudo estático à volta. E a música repete. E a roupa não é trocada. E a maquiagem continua borrada. Talvez queira tanto, que não sabe como começar. Talvez tenha dúvidas demais, apesar de tudo parecer tão certo. Mas não é tão simples assim, principalmente quando envolvem terceiros. Dá pra por a culpa neles também? Fez isso durante muito tempo, é hora de mudar. Mudar...
Ela levanta e troca a música.
Ela levanta e troca a música.
Ultraviolet.
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